Gestão do Conhecimento

As mudanças no estilo de administrar os negócios vêm ocorrendo de forma mais abrangente, a partir do momento em que se passou a focar mais o ponto de vista do cliente do que as funções internas nas empresas. Hoje há uma exigência em se voltar às metas para os processos essenciais - fundamentais para o negócio da empresa - que conseguem refletir melhor o desempenho das organizações. De uma forma abrangente podemos entender a maneira como as coisas são feitas nas empresas, como sendo processos. A estruturação de uma empresa por processos, que permeiam transversalmente a organização, acompanhando as atividades com uma visão sistêmica, tem se apresentado como a melhor solução para satisfazer os clientes. A identificação dos processos mais importantes para os negócios das empresas, passa pela análise estratégica da organização, dos seus fatores críticos de sucesso e da sua missão.

A decisão de como e em quais processos inovar, é crucial, pois depende de uma análise criteriosa de vários fatores técnicos, culturais, financeiros, entre outros, que podem determinar a viabilidade e o sucesso do trabalho . Em cada processo precisamos identificar as atividades existentes e as habilidades e competências requeridas para cada uma delas, estipulando-se níveis de experiência a serem requeridos. Para a definição correta das habilidades e competências, muitas vezes deve-se considerar várias fontes de informações, internas e externas à empresa, bem como bibliografias já existentes. Após a identificação das pessoas-chave dos processos, deve-se proceder uma avaliação, para verificar como se encontram as habilidades destas pessoas. A diferença entre o nível de conhecimento exigido e o encontrado nas entrevistas, é chamado de "GAP" ou lacuna .

A análise e a maneira como serão tratados estes "GAPS", é um dos pontos mais importantes da gestão por competência. A avaliação destes "GAPS" será individual e/ou em equipe, dependendo da situação, recomendando-se utilizar como apoio, gráficos, planilhas comparativas e outras ferramentas, que forneçam subsídios para traçar um plano de ação que reduza as lacunas. Existem várias bibliografias com modelos de mapas para identificar as competências necessárias para cada um dos capitais do conhecimento, para cada processo e atividade. Este sem dúvida, é um assunto para longo estudo e aprimoramento.


Gestão do Conhecimento nos Serviços Públicos




Seguindo a filosofia da Gestão do Conhecimento de gerenciar o conhecimento existente nas organizações, como alavanca para seu crescimento e como vantagem competitiva, na área pública, ela deve ser encarada de forma diferente. As ferramentas utilizadas, deverão buscar a eliminação da ineficiência, do comodismo, da desvalorização do funcionário público e da descontinuidade administrativa. É emergencial a busca da transparência do poder público, a melhoria da competitividade e a modernização da máquina administrativa, com o aproveitamento dos talentos existentes neste setor.

Muito já se tem avançado neste caminho, embora muitas vezes pontualmente e com dificuldades; já foi dada a partida para se desenvolver as competências essenciais, necessárias para mudar, para melhor, o rumo das organizações públicas. Um exemplo disso foi o GONGEP - Congresso Nacional de Gestão do Conhecimento na Esfera Pública, promovido em maio de 2001, pela SBGC- Sociedade Brasileira de Gestão do Conhecimento. Esta entidade foi criada há menos de dois anos, com a finalidade de contribuir para a pesquisa e desenvolvimento da GC no Brasil, propiciando a todos os brasileiros, maior oportunidade de acesso ao conhecimento, como forma de democratização da sociedade brasileira.

Talvez seja no emprego público, o local onde a cultura organizacional mais prejudique o desenvolvimento do ser humano e onde ainda existe um modelo de gestão hierárquico, centralizado e de certa forma autoritário, incompatível com a Sociedade do Conhecimento. A sua estrutura e a sua estabilidade precisam ser revistas, o seu modo de gerenciamento atualizado e a sua visão das pessoas valorizada. A formação de feudos ainda persiste e ela deve ser substituída pelo trabalho cooperativo, pela formação de equipes, pelo desenvolvimento das pessoas como seres dinâmicos e capazes de contribuir para uma sociedade melhor, se incentivados. Devido às dificuldades para a implementar projetos nesta área, é imprescindível um estudo de todos os fatores que possam torná-lo viável e exeqüível, levando em consideração as peculiaridades detectadas em cada caso. Vide estudos de caso, apresentados no livro "A Prática da Gestão do Conhecimento em Empresas Públicas".